terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ódio e Admiração

Em maio deste ano ela foi transferida para a minha turma da faculdade, e se enturmar no último ano de faculdade não é  muito fácil, pois cada um já tem sua turminha, "sua panela", apesar de que, ela demonstrava não ter intenções amigáveis com a turma, e pelo fato dela ser filha de um dos diretores da faculdade, aparentemente ela não tinha humildade.
Demonstrando muita dedicação, inteligência e superioridade, a maioria dos alunos passaram a odiá-la, inclusive eu, principalmente quando alguns professores lhe davam maior atenção, e para encerrar o semestre, saiu um boato de que ela e sua amiga fariam a prova em dupla pelo fato de ter sido transferidas recentemente...
Eu, com meu gênio explosivo, não conseguindo engolir coisas erradas, me precipitei antes mesmo de ter certeza do fato e agressivamente perante a todos, eu cobrei justiça do professor, que calmamente disse que eu estava enganado.
Ela, não suportando tal situação, ironicamente justificou-se e respondeu a altura, cujo todos ficaram perplexo com sua resposta, inclusive eu, que irritado retruquei...
Depois dessa, se antes eu já não gostava dela, passei a odiá-la, não suportava vê-la em minha frente, além de achar ela uma loira descuidada, mal arrumada, chata...
Meses se passaram,comecei a trabalhar numa empresa cujo no primeiro dia, fiquei decepcionado quando vi que ela faz parte do quadro de funcionários, mesmo que somos de setores diferentes, às vezes ambos frequentam o setor do outro...
De inicio, quando via ela conversando com meu chefe, eu me sentia desconfortável, eu tinha quase certeza de que ela estaria falando mal de mim pra ele, alertando-o de que sento no fundão da sala de aula, que faço parte da turma da bagunça, que fora da empresa uso 5 piercings, enfim, tinha essa neurose, embora, o que eu sou ou faço fora da empresa pouco importa, não diz a respeito a ninguém,  mas infelizmente algumas empresas misturam tudo...
Quando cruzávamos nos corredores, ambos não se olhavam, percebia que ela tinha ódio de mim, eu já não tinha mais nada contra ela, pois já havia passado meses, pelo menos de minha parte o clima já havia esfriado, pra mim ela era neutra, já se foi o tempo que tinha rancor incontrolável das pessoas, hoje em dia tolero com mais facilidade...
Com a rotina do dia a dia, eu passei a admirá-la profissionalmente, pela postura profissional, pela aparência, maneira de se vestir, bem diferente do estilo "largado" que ela usa na faculdade.
Eu tinha um desejo de ser simpático com ela, dar ao menos um "bom dia", mas percebia que ela  não queria aproximação, até que um dia meu chefe pediu para eu ajudá-la a procurar um documento.
Ajudei com muito empenho, me fiz de desentendido e questionei sobre o documento somente para eu interagir com ela,  e depois desse dia ao cruzarmos nos corredores, ela gentilmente começou a me cumprimentar diariamente... Depois disso, tivemos poucas oportunidades de conversar profissionalmente.
Não conseguia me entender, pois eu comecei a me sentir atraído por ela. Ás vezes, passo o tempo todo na sala de aula olhando pra ela e admirando-a sua postura, sua voz, seu jeito de se expressar, até comentei com amigas que ela me desperta interesse, óbvio que fui criticado, pelo fato das garotas não suportarem ela...
Dias atrás, numa segunda feira, ao tirar xerox, ouvi no corredor uma garota dizendo que havia ido com amigos para uma boate em São Paulo, e imediatamente ouvi a voz de um garoto (cujo desconfio que ele seja gay), afirmando se era uma boate gay, a garota explicou que sim e disse que foi divertido...
Imediatamente eu disfarcei para ver quem era a tal garota que se divertiu numa boate gay, e de fato era ela...
Acredito que ela não seja bissexual, não fiquei surpreso com o que ouvi, porque hoje em dia é normal garotas irem em boates gays, que por sinal, se dão bem, por "ficarem" com garotos perfeitos...
Semana passada ao realizar serviços externo, meu chefe pediu para eu ir buscá-la em outro fornecedor caso meu horário coincidisse com o dela.
Eu fiquei eufórico, ansioso, torcendo para que nossos horários coincidisse, afinal seria a chance que eu teria de conhecê-la melhor.
Deu tudo certo, dei a carona pra ela, e fizemos o percurso de 8 km conversando sobre faculdade, trabalho, cujo fiquei admirado com seu jeito de ser, além de ter concluído que me enganei em julgá-la chata, metida, insuportável, e quando iniciamos o assunto sobre balada, infelizmente chegamos na empresa, e depois de me agradecer varias vezes, cada um foi para o seu setor... Pena que foi tudo muito rápido.
Óbvio que não estou apaixonado, é uma vontade inexplicável de tocar naquele rosto, beijá-la por curiosidade de sentir seu sabor... São vontades e desejos imprevisíveis...
Mesmo que vontade e curiosidade sejam algo passageiro, só me resta admirá-la.

20 comentários:

  1. Esse é o grande problema dos famosos "grupinhos"... às vezes - mesmo não querendo e indiretamente - somos influenciados pelos outros, pelos que já conhecemos, criando um conceito do terceiro que quase sempre é errado.

    Legal que conseguiu formar uma nova opinião sobre ela, definitivamente a primeira impressão não ficou! Quem sabe vocês não se trombam um dia na balada?

    Abraços!

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  2. porque "ficarem" está entre aspas? elas não ficam com os garotos nas boates gays não? elas não beijam? não entendi...

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  3. Tive uma surpresa imensamente grata por me permitir mudar de opinião sobre uma pessoa. Então, aplaudo!

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  4. pois é, todos julgamos antes de saber os fatos completos e nuances de cada particular..
    somos assim, nascemos com o 'julgômetro' ON.
    e mesmo depois de saber todos os detalhes, o que não nos entitula a emitir sentenças, olhai os tetos de vidro, ainda assim insistimos em fazê-lo e geralmente isso só serve para, tempos depois, pagarmos cada centímetro da língua ferina....
    não cospe pra cima..já dizia o deitado...

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  5. não cospe pra cima..já dizia o deitado... [2]

    vi e admirei a homenagem prestada pelo Melo a vc ... super merecida ... vc realmente tem o dom de abordar experiências vividas q no fundo são experiências vividas por todos nós gays em nossa juventudo ...

    bjão

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  6. já diz o ditado não julgue o livro pela capa..
    ja tive experiencia dessas também..

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  7. Infelizmente esses grupinhos na faculdade nos influenciam e nem nos damos conta.
    Que bom que conseguiu tirar aquela primeira impressão, depois conseguiram conversar e se conhecerem melhor...
    Abraço

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  8. @Peter - Cara tu tem toda razão, às vezes deixamos ser influenciados pelos grupos e opiniões alheias, sem ao menos buscar analisar o fato.
    Então cara, seria até legal uma nova amizade para balada e tal, mas por enquanto eu tenho até medo de encontrá-la na balada, pois de alguma forma alguém poderia saber do fato, e nem sempre as pessoas são confiáveis ao ponto de não falar da vida alheia...
    Forte abraço!

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  9. @FOXX - Porque, infelizmente muitas pessoas têm um conceito de que boates gays é um lugar frequentado somente por gays assumidos, afeminados, um lugar que expressa promiscuidade, e a realidade é outra, pois o ambiente é bem diversificado, há muitos héteros que fazem a "festa" com a mulheres.
    Forte abraço!

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  10. @Edu - Já houve várias vezes em que me surpreendi com as pessoas, é sempre bom se permitir a mudar de conceito sobre os outros.
    Forte abraço!

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  11. @melo - Exatamente, todos nós temos o "julgômetro", embora sempre me dei mal com isso, e ainda tenho essa mania...
    Tu tens toda razão, hilário seu ditado, "não cospe pra cima, já dizia o deitado"..hahaha não conhecia essa expressão.

    Mais uma vez agradeço pela indicação em seu blog.
    Forte abraço!

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  12. @Paulo Braccini - Bratz - hahaha...Bizarra essa expressão, me identifiquei...
    Eu também fiquei surpreso e lisonjeado com a homenagem do Melo.
    Obrigado pelas palavras...
    Forte abraço!

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  13. @teago de assumpcao - Pois é, por mais que a vida e as situações vividas nos ensina, ainda persistimos no erro de precipitar-nos em julgar os outros.
    Forte abraço!

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  14. @Ricardo - Exatamente, nem sempre nos damos conta dessa influência alheia, por isso é sempre bom estar atendo e buscar opiniões próprias.
    Forte abraço!

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  15. hahahhahahah

    O nome disso, rapaz, é preconceito. Não estou dizendo preconceito "clássico", esse que envolve discriminação relativa a raça, orientação sexual ou mesmo peso. Trata-se de de um preconceito elementar, bem humano. Você a julgou sem "ter conceito dela", daí (Pré)conceito. A julgou por ela ser nova na classe, a julgou pela sua aparência, por ela ser filha de um diretor da faculdade. No fim das contas, como ironia do destino, você acaba a conhecendo de verdade, tendo conceito pleno dela, e ela se mostra uma pessoa fantástica. Na verdade, todos podemos ser pessoas fantásticas, né verdade. E você ganhou mais do que uma nova amiga, ganhou uma nova perspectiva, aprendeu a não pre-julgar as pessoas... Acho válido!

    Agora, sobre beija-la e tals... Acho que pode ser uma experiencia henriquecedora... xD. Va com fé, rapaz! ;)

    Abraços, cara... Saudades de você, seu paulista! xD

    Até!

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  16. As atrações que nascem de uma animosidade costumam ser fortíssimas!

    Acho uma delícia isso...rs

    Um beijinho.

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  17. Vai entrar pra universal como ex-gay?? kkk

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  18. @Júlio César Vanelis - Exatamente cara, é uma forma de preconceito, e esse é um de meus grandes defeitos, julgar algo sem ao menos conhecer...
    Novas experiências são sempre boas, é sempre bom estar aberto a elas...
    Saudades de tu também, seu garotão sumido, tu evaporou do MSN...
    Forte abraço!

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  19. @Luna Sanchez - Pois é, só nos restam permitir que isso ocorra.
    Beijão!

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  20. @Raphael Martins hahaha... Quem dera, pois não existe "ex Gay", e tu sabe que desejos, e vontades são espontâneos, porém basta aproveitá-los...
    Forte abraço!

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