Relato de um Soropositivo
Diego Tinha 18 anos quando recebeu o diagnóstico de HIV. Na
época, seu parceiro descobriu a infecção em um estágio avançado, quando a carga
viral já estava muito alta. Ele precisou ser internado e Diego foi convidado a
fazer o teste: o resultado deu positivo.
“A gente não espera. O sentimento deixa as pessoas muito
vulneráveis, a gente quer agradar, fazer concessões e satisfazer o
companheiro.” Ele conta que "a ficha só caiu" sobre seu diagnóstico
quando levou para casa primeiro frasco de remédios, 12 dias depois de receber o
resultado do teste.
“Para mim, o que foi muito ruim no início foi ver meu
parceiro internado e outras pessoas em situações parecidas.”
Muito debilitado,
seu companheiro morreu depois de três meses de internação. Diego conta que
preferiu esperar algum tempo antes de contar para a família e para os amigos
sobre a infecção.
“Fui primeiro estruturando o conceito de viver com HIV na
cabeça, me adaptei à medicação, fiz reeducação alimentar”, conta. A princípio,
a família ficou em choque. “Mas a gente resolveu tudo com diálogo, o tempo
contribui muito para as pessoas assimilarem a nova realidade.”
Aos 26 anos de idade, o jovem, que vive em Juiz de Fora (MG) e é assessor do Fórum
Consultivo de Juventude da Unaids, opina que, para as campanhas atingirem os
jovens, devem usar uma linguagem diferente, recorrendo a redes sociais e
aplicativos que dialoguem melhor com a juventude. “As campanhas não estão
atingindo os jovens, que banalizam a questão do HIV. Acham que está distante.
Não acham que está na pessoa ao seu lado, na pessoa com quem está flertando, na
pessoa que conheceu na balada."
** Parece ser um assunto tão óbvio, mas na hora do tesão, muitas vezes nem nos preocupamos com as consequências.