terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Filha adotiva

Há 12 anos atrás quando você entrou em nossas vidas, confesso que não gostamos, pois eu mesmo odiava gatos, não podia ver um em minha frente, que eu tinha o gosto de jogar pedras, testar minha pontaria... Você era tão novinha, feinha, pequenina, orelhuda, magrela... Também, naquele lugar onde você foi achada proximo a linha de trem, você estava abandonada, perdida, desorientada...
Eu nem fazia muita questão de me aproximar de você, só lhe tratava por obrigação, mas me recordo de que você comia tão pouco, apenas meia salsinha por período e bebia muito leite. Nosso contato era pouco, afinal você não podia entrar dentro de casa, ficava o tempo todo no quintal, e toda tarde quando eu estava jogando bola na rua, brincando ou até mesmo conversando com amiguinhos, você insistia em fica ali por perto, e consequentemente você ia pra rua, mas eu nao deixava, tinha medo de que sua inocência causaria o seu atropelamento...
Passou-se 2 anos, você cresceu, deixou de consumir as salsichas, e só pensava em dormir durante o dia, guardando suas energias para a noite...
Até que você tentava adentrar na casa, quantas vezes não foi retirada de um estofado, de uma cama, pois em um descuido você estava lá, na maior cara de pau... A noite quando olhava pra janela, te via na calçada, ficava preocupado, tinha medo de que você fosse atropelada, mas nada podia fazer, afinal seu extinto animal exige liberdade, não se prende um gato como um cachorro.
Mas eu tive que me mudar, ficamos 4 meses afastados, consegui casa e trouxe todos pra ca, nos quais no início você ficou perdida, sentiu que o ambiente dessa cidade era outro, você só ficava dentro de casa, só queria ficar no meu quarto, só saia por extrema necessidade, você nem desejavia ir á rua, até achamos que você não iria se adaptar, afinal você já não tinha o espaço de antes,  já não gozava da mesma liberdade, mas lhe demos a liberdade de você fazer o que quiser, dormir no sofá, na minha cama, afinal 3 anos se passaram e tu ja havia se tornado a mascote da famila, pois o ambiente sem quintal fez com que você se aproximasse mais da gente e consequentemente recebeu muito carinho de todos.
Sei que para você nem tudo foi fáci, e sendo assim você mudou radicalmente seus hábitos, já não era tão noturna como antes, e aos poucos acho que você foi percebendo a minha carência, a minha solidão, e assim sendo você se apegou em mim, fomos criando um laço forte, nos quais depois de alguns anos os meus irmãos casaram e meus pais nem tinham tempo pra ti, acho que você percebeu que eu iria ficar pra "Titio". 
Banho nem pensar né?  Mas você tinha que tomar, tinha que ficar limpinha, apesar de seus miados, de seu desespero, onde como muita dificuldade conseguiamos lhe segurar...
Os anos passaram, mudamos para uma casa com amplo jardim externo, sua liberdade ficou maior, mas seus hábitos caseiro eram os mesmos, cujo ficamos unidos, envolvidos, você foi adquirindo uma sabedoria extrema, pois você não agia como uma gata, afinal gato é tão individual, nem liga muito para o dono, diferente de um cachorro, será que você tem extinto de cachorro, ou não é tão irracional como pensava? Afinal você me entende perfeitamente, sabe quando eu te chamo num estalar de dedos, num assobio, ou quando pronuncio seu nome.
Quando estou aqui no computador, lá está você na minha cama, bem proximo de mim como agora por exemplo, ou às vezes na escrivaninha. Se vou pra sala, você também vai. Quando vou para o jardim e fico falando com alguém no telefone, você se desespera, fica nos meus pés, me arranhando, miando sem parar, querendo toda atenção pra você, se é ciúmes eu não sei. Onde vou, você vai pra ficar próxima de mim... Quando brincamos, você de alguma maneira se altera, começa a demonstrar nervosismo, me morde, me arranha, até que eu peço arrego, e desisto de brincar.
Quando estou afim de conversar, lhe chamo, falo contigo, você olha pra mim, responde com um miado, se esfrega em mim., me lambe com sua língua áspera, seca, eu te acaricio, lhe abraço, lhe beijo. Quantas vezes o pessoal ouvia nossa conversa e jurava que eu estava falando com alguém...mas nem ai, podem me achar louco, insano, carente, o que importa é a reciprocidade do nosso carinho, afinal você pra mim é como uma filha, sempre lhe chamo de filhinha, de nenê, menininha...
Lembro de quantos não foram os dias, em que eu estava abatido, triste jogado na cama, às vezes eu ficava chorando devido alguns fatos, e você percebia algo de errado em mim, buscava me entender, se incomadava com aquilo, ficava próximo de mim, dava aquele miado sussurrado próximo de mim, esfregando seu corpo em mim, querendo chamar minha atenção que de fato eu era recíproco com suas atitudes e toda a tristeza ia embora quando eu me interagia contigo.
Ficava surpreso quando eu chegava da faculdade, e tu pontualmente assim que eu abria o portão, você acordava, saia da minha cama, e ia ao meu encontro na garagem...
Ás vezes eu estresssava quando você entrava no "cio", pois miava sem parar, não deixava eu dormir, me irritava, tentava lhe trancar dentro de casa, mas você queria mesmo é sair, buscar um companheiro para lhe saciar, nos quais até vi alguns gatos se aproximando de ti, mas ainda acho que você é virgem, apesar de que isso não faz diferença... Quando você ia ao veterinário tomar vacina, você escondia debaixo do banco do carro, dava trabalho pra tirar você, pois você é muito medrosa, estranha tudo e todos...
O que me admira é sua exigência chata, afinal mesmo que seu pratinho esteja cheio de ração, você usa o seu miado fraco, delicado, exigindo que coloquem mais ração fresca do pote pra ti, além do mais você insisti em afiar suas unhas, arranhando a madeira da minha cama, o estofado, o banco do jardim... Apesar de eu ficar bravo, isso faz parte de seu extinto, e essas coisas materias não tem tanto valor como você tem pra gente. Sem contar que você começou a ficar rebele, que por mais que ja conversamos sobre isso, você insiste em sujar a grama, evitando usar sua caixinha, ja lhe bati, ja gritei, discuti, mas... deixa pra lá, afinal todo ser da trabalho, todos têm defeitos...
Quando vou dormir, enquanto arrumo a cama pra gente, você mia sem parar, exigindo pressa, para que eu me deite logo, e ao me deitar, você faz questão de se aproximar de meu rosto, miar, lamber meu rosto (nos quais nao deixo) mas te acaricio, converso contigo para depois você deitar em cima de mim e assim passarmos mais uma noite juntos...
Você é o centro das atenções da familia, nos quais mesmo fugindo das visitas, todos que te vêem se encantam por ti, te admiram.
Sei que atualmente você já não goza da mesma saúde de antes, por consequencia de sua idade, da vida, das vacinas, nos quais infelizmente alguns veterinários disseram que nao compensa fazer cirurgia em seu tumor, por ser de auto risco..
Aparentemente você está normal, não está debilitada, mas estou ciente das consequências futuras, mas não quero pensar o pior, quero aproveitar cada momento contigo.
Fico triste, deslocado, desorientado em saber o que fazer para te curar, me entristeço em imaginar sua ausência, nos quais faremos o que for preciso para que você continue ao nosso lado, afinal você me faz bem, me faz sorrir, me tira do estresse, me entende, me corresponde, me faz muito feliz!

10 comentários:

  1. ela é uma gatinha mesmo ... eu sempre tive animais em casa, mas os tempos são outros e não os tenho mais ...
    cuide dela direitinho e aproveite de sua amizade e de sua presença ...

    bjão querido

    ;-)

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  2. Eu tenho uma cachorrinha. O nome dela é Tininha... Ela também está com um caroço perto do rabo. Só que não tenho dinheiro pra levá-la num veterinário. Enfim...
    Curta mesmo a amizade da sua gata. As vezes eu acho que os animais são os nossos verdadeiros melhores amigos.

    Bjs

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  3. Ela é linda mesmo, adoro gatos e cachorros! Minha cachorra também está doente e o veterinário não deu mais que um mês para ela. O importante é que ela não está sofrendo, nem parece que está doente e isto é melhor pelo menos. O importante também é eles saberem o quanto demos muito carinho e amor para eles.

    Beijo!

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  4. Oh, que gatinha fofa. :)

    Eu adorava ter um gato (a avó tem), mas não posso: tenho alergia ao pêlo dos animais. :((

    Lots of Love. ^^

    PS: Gostei do blogue. :)

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  5. Adoro gatos, já tive cachorros, mas gatos tem mais a ver com minha personalidade!
    Os seus são lindos!

    http://sabordaletra.blogspot.com/

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  6. Eu não gosto de gato. Mas eu me encantei pela sua gatinha. lembrou-me Marley. Espero que ela posso resistir bem aos males da vida.
    Beijos

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  7. é linda. A sua cor me lembra o meu gato... que infelizmente, já faleceu. Se chamava Satan :)

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  8. Ain, que história linda, a forma como ela conquistou a todos, realmente nem vamos percebendo não é mesmo, quando menos notamos já estamos amando nosso bichinho, é preciso uma sensibilidade muito grande para tratar dessas preciosidades, sei que fará dos seus últimos dias os melhores, e força aew! Deixei um presente para ti no meu Blog... Beijos!

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  9. Sempre tive pet! Gato, cachorro, papagaio etc... O problema é que geralmente os animais vivem muito menos que nós. Quando eu era menor eu sempre chorava quando meus pets morriam e exigia que fossem enterrados. É triste ´pensar que um dia eles não vão mais estar por perto mas acredito que vc vai lembrar dela sempre!

    abraços!

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  10. Todos os animais seriam muito felizes se tivessem donos como tu :)

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