sábado, 17 de dezembro de 2011

Abandono familiar...

Como de rotina, nesta semana, ao fazer serviços externos para empresa, ao passar pelo mercadão da cidade, avisto alguns mendigos, sentados papeando. De costas, avistei uma mulher no meio deles, de imediato, como sempre, aquilo me deu pena, e ao vê-la de frente, notei que era a minha ex vizinha, com o seu cabelo preso, sem a chapinha que tanto usava, sem seus óculos de grau que necessita usar, sem aquela vaidade que sempre teve.....
Aquela cena só não foi mais chocante, porque meses atrás eu já tinha ouvido de minha família, que ela havia virando moradora de rua, mas busquei não acreditar no fato, apesar de que meses atrás eu a vi na rua, toda suja, mas eu estava no trânsito, passei rápido por ela...

A vida é tão cheia de mistérios, surpresas, e decepções, aquilo me fez relembrar da época em  que morávamos na mesma rua, cerca de 8 anos atrás, quando ela tinha apenas 17 anos de idade, e estava cursando o último ano do ensino médio.
Era perceptível que ela não tinha uma boa estrutura familiar, sua mãe era de baixa renda, não lhe dava a mínima, e um dos motivos que ela saiu de sua casa foi ter sido abusada pelo padrasto, por isso que ela morava com sua tia e primos, na rua de casa. Era visível que sua família fazia questão de explorá-las nas tarefas domiciliares.
Ela me "secava" com os olhos, me paquerava descaradamente, mandava bilhetinhos afirmando gostar de mim.... 
Uma época eu meio que fugia de sua inconveniência, ela sempre buscava me ver chegando ou saindo de casa, às vezes me chamava no portão para ficarmos papeando, as vezes nos faltava assunto, além de ouvir suas indiretas, 
Apesar de não ser bonita, era vaidosa, e o que mais me instigava, era os seus seios fartos, onde ela abusava nos decotes.
Extremamente complicado gostar de alguém, e não ser retribuído é pior ainda, por isso em sua frente, eu sempre  fazia questão de ser simpático, apesar de que nem sempre eu estava com um humor tolerável.
Depois de 3 anos morando na mesma rua, em 2005 , eu juntamente com minha família, mudamos de bairro.
Anos depois fiquei sabendo que ela havia se enturmado com um grupo de gays, há quem diga que ela estava saindo com garotas, fiquei com pena, pois ela não tinha amigos, pode ser que o fato dela ter sido acolhida naquele grupo, tenha lhe deixado curiosa afinal poderia ser uma fase de curiosidades, ou então ela tenha sido influenciada por eles, sei la....

Executei a minha tarefa, pensando no passado em que convivemos, ao mesmo tempo eu estava indignado com a cena que vi, e ao retornar, fiz questão de passar por ela, pois eu queria de certa forma, ajudá-la, mas de que forma? Afinal bater papos com ela naquele momento só a deixaria com vergonha de si mesma, por estar daquele jeito, naquele lugar, naquela situação.
Passei por ela, parei, questionei se ela estava bem. Óbvio que ela não estava, era evidente, porém ela respondeu de maneria tímida, que estava tudo bem...
Perguntei de sua família, se ela tinha contato com eles, ela afirmou que mantinha, depois contrariou, afirmando o óbvio, que não tinha. Eu fiz uma crítica rápida sobre a atitude de sua família, e aconselhei a buscar ajuda na casa de solidariedade, ou na prefeitura, pois de alguma, eles poderiam ajudá-la... Acho que fui além, afinal políticos não ajudam ninguém,. Tudo bem que existe albergue, mas não acolhe, apesar de ajudar...
E assim, finalizei nosso papo, e segui decepcionado para a empresa, não conseguindo digerir aquela cena, afinal como deve ser não ter lugar fixo para morar, não ter uma cama para dormir, não ter um banheiro nas horas que precisarnão tomar banho, não ter água e comida no momento da necessidade, não ter uma vida sociável, visto que a sociedade despreza os mendigos.
Além disso, o que houve, qual será o motivo pelo abandono familiar, apesar de que nada justifica, infelizmente ela está no fundo do poço, emprego é algo tão escasso, quem daria emprego para alguém que nem tem residência fixa? Além disso, essa vida que ela tem, está mais propícia a entrar no caminho das drogas, do álcool, da prostituição...
Ao chegar na empresa, enquanto estava pensativo na máquina de xerox, uma colega de trabalho chegou pra tirar algumas cópias, e acabei desabafando a minha indignação com ela, e fiquei empolgado com o que ouvi, pois ela disse que na igreja que ela frequenta, eles estão começando um trabalho para ajudar as pessoas que não têm casa, dando abrigo, roupas e ajudando de alguma forma essas pessoas que tanto necessitam.
Acho que eu havia desabafado com a pessoa certa, no momento certo, tenho esperanças que as coisas se encaixem na vida de minha ex-vizinha.
Eu só preciso que Deus a coloque no meu caminho novamente, afinal no dia seguinte eu passei pelo mesmo local que havíamos nos visto na esperança de vê-la, mas é óbvio que ela não estaria ali, afinal ela tem uma vida nômade, não pára em nenhum lugar.
Mas não perderei as esperanças, já deixei na minha bolsa o endereço da igreja em que ela poderá buscar ajuda, além de deixar o número do meu celular, para que ela me ligue a cobrar me mantendo informado sobre sua situação, só espero encontrá-la em breve.

16 comentários:

  1. Há cada vez mais pessoas nessa situação, aqui em Portugal; até licenciados...
    Uma tristeza.

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  2. Fala Ro!

    É cara, realmente é uma tristeza a pessoa levar a vida nas ruas, ainda pior deve ser quando se conhece a pessoa, um dia já foi de seu convívio.

    Grande nobreza de sua parte ir lá e conversar, tentar de alguma forma ajudá-la... Não sei se eu teria a mesma coragem, pois fico meio paranóico em de certa forma, constranger a pessoa.

    Espero que ela cruze novamente seu caminho e espero que ela esteja bem melhor!

    Grande abraço,
    Eduardo Paiva.

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  3. Dependendo da igreja, pode ser que ajude mesmo. Mas é Igreja ou igreja ? Esse é o ponto.

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  4. Nossa,que situação chata! Espero que vc consiga ajudá-la! Abraços!

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  5. Esse é um assunto que também me deixa bastante chateado... as vezes reclamo tanto da vida, das coisas ruins que acontecem comigo, e me esqueço que existem muitos por aí em situações bem piores, onde os meus problemas são poeiras diante dessas pessoas...

    Tenho certeza que irá reencontrá-la. Muitas comunidades cristãs ajudam sem-tetos, são corretas, sem qualquer tipo de exploração. Deus escreve certo por linhas tortas.

    Abraços!

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  6. @pinguim - Infelizmente essa é a dura realidade, lamentável.
    Forte abraço!

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  7. @Eduardo Paiva - Eu pensei muito na forma de abordá-la, que de certa forma, ela sentiu-se constrangida, mas eu precisa demonstrar que independente da situação em que ela vive, ela sempre terá minha atenção.
    Tomara que eu encontre-a em breve, tenho esperanças...
    Forte abraço!

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  8. @Raphael Martins - Pelo o que ouvi de minha colega, a igreja busca ajudar sem pretensões, sem obrigá-los ou induzi-los a frequentar a igreja...
    Forte abraço!

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  9. @Jean Borges - Não é uma situação fácil, eu quero muito reverter essa situação, espero que eu consiga.
    Forte abraço!

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  10. @Peter - Sabe que eu também reclamo muito, acho que muitos seres são assim, não se contentam como a situação atual, esquecendo de que muitos estão bem piores...

    Tudo tem a hora e o momento certo, espero que ela saia dessa miséria em que vive.
    Forte abraço!

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  11. Eu achei que você não acreditava em Deus porque pessoas tão resolvidas com sua sexualidade como você geralmente já mandaram a religião embora. Não sei pq fiquei surpreso, eu me crismei na católica, mas agora frequentamos a Mundial do poder de Deus. Gosto muito de ir lá.

    Deve te doer mais pq ela era tua amiga, conhecida de brincar na rua. É o meso quando ganhamos a noticia de que um amigo faleceu... o ruim é que não se pode confiar em alguém assim, se estivesse no seu lugar seria até capaz de traze-la pra casa, mas cadê confiança?

    Agora estou seguindo você, achei que já tinha feito isso há tempos...

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  12. @O Guri - Confesso que não sou religioso, mas creio sim em Deus, já visitei igrejas evangélicas, gosto de ouvir músicas góspel, enfim...
    Mas eu não sou resolvido sexualmente, tenho muitas neuras, complexos, mas faz parte...
    É muito bom ir numa igreja que nos sentimos bem, bacana que tu está bem nessa igreja...

    Ajudar os outros é sempre bom, eu me empenho, mas ela morar em casa com minha família, infelizmente não daria certo por vários motivos Parentes quando mora junto com outro não dá certo, imagina alguém "estranho"...
    Forte abraço!

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  13. Espero que a consigas ajudar, às vezes pessoas com um potencial enorme só precisam de um empurrão para orientarem as suas vidas.

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  14. Não dá para julgar a vida dos outros e o que eles devem ter passado para tornarem-se mendigos. E você pode dar o primeiro empurrão para ela melhorar de vida. Às vezes, é necessário nós fazermos pequenos atos para tornar o mundo um pouco mais habitável...

    Abraço!

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  15. @um coelho - Exatamente, pode ser que um "empurrão" alheio, seja suficiente para a pessoa melhorar de vida.
    Forte abraço!

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  16. @Três Egos - Alguns dizem que colhemos o que plantamos, embora isso seja muito complexo, muitos sofrem injustamente com a pobreza, miséria, falta de oportunidades...
    Pequenos atos pode fazer diferença na vida das pessoas...
    Forte abraço!

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